segunda-feira, 29 de junho de 2015

FILOSOFIAS DE BOTEQUIM no Amazon

http://www.amazon.com.br/gp/product/B00FYZ4TTY

Jô Soares dispensa apresentações e comentou que o livro Filosofias de Botequim é um dos livros mais interessantes que leu entre os que recebe diariamente na emissora para alavancar suas entrevistas. "O uso do humor cria empatia com as pessoas e leva energia positiva na vida de todos" comentou o apresentador.

FILOSOFIAS DE BOTEQUIM no Amazon:

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"O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele." (Nelson Rodrigues)

A série "filosofias de botequim" surgiu depois de uma típica conversa em um bar. Depois de cervejas e caipiras, as pessoas começam a "filosofar" e alguns se transformam em "poetas", outros em "analistas políticos" e muitos em "humoristas". Escutei uma, onde o jovem, estufou o peito e disse: "Para se conquistar uma mulher, basta ter um livro de piadas no bolso."

A frase me inspirou a escrever este livro com artigos de curiosidades, reais e outros baseados em histórias reais engraçadas, e muito humor. Selecionei coisas bem interessantes e principalmente inteligentes.

E vamos filosofar, dentro ou fora do botequim, o lugar é aqui. 


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"O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele." (Nelson Rodrigues)

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A frase me inspirou a escrever este livro com artigos de curiosidades, reais e outros baseados em histórias reais engraçadas, e muito humor. Selecionei coisas bem interessantes e principalmente inteligentes.

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A frase me inspirou a escrever este livro com artigos de curiosidades, reais e outros baseados em histórias reais engraçadas, e muito humor. Selecionei coisas bem interessantes e principalmente inteligentes.

E vamos filosofar, dentro ou fora do botequim, o lugar é aqui.

 


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domingo, 28 de junho de 2015

Porteiro do Puteiro

Não havia no povoado pior emprego do que ‘porteiro da zona’.

Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?

O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.

porteiroUm dia, entrou como gerente do puteiro um jovem cheio de ideias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.

Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.

Ao porteiro disse:

- A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.

- Eu adoraria fazer isso, senhor, balbuciou – Mas eu não sei ler nem escrever.

- Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.

- Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.

- Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Dito isso, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer?

Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.

Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.

Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.

Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim fez.

No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

- Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.

- Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar, já que…

- Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.

- Se é assim, está bem.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?

- Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem, de mula.

- Façamos um trato – disse o vizinho.

Eu pagarei os dias de ida e volta, mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias. Aceitou.

Voltou a montar na sua mula e viajou.

No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.

Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.

Que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: ‘não disponho de tempo para viajar para fazer compras’.

Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.

Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as que já havia vendido.

De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.

A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes.

Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele.

Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.

E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc …

E após foram os pregos e os parafusos…

Em poucos anos, ele se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.

Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.

No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse:

- É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.

- A honra seria minha, disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.

- O Senhor? disse incrédulo o prefeito. O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto:

- O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?

- Isso eu posso responder, disse o homem com toda a calma. Se eu soubesse ler e escrever… ainda seria o PORTEIRO DO PUTEIRO.

_________________________________________________

Geralmente as mudanças são vistas como adversidades.

As adversidades podem ser bênçãos.

As crises estão cheias de oportunidades.

Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.

Lembre-se da sabedoria da água: ‘A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna’.

Que a sua vida seja cheia de vitórias, não importa se são grandes ou pequenas, o importante é comemorar cada uma delas.

Porteiro do Puteiro

Não havia no povoado pior emprego do que ‘porteiro da zona’.

Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem?

O fato é que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício.

porteiroUm dia, entrou como gerente do puteiro um jovem cheio de ideias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.

Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.

Ao porteiro disse:

- A partir de hoje, o senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.

- Eu adoraria fazer isso, senhor, balbuciou – Mas eu não sei ler nem escrever.

- Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.

- Mas senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.

- Olhe, eu compreendo, mas não posso fazer nada pelo senhor. Vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.

Dito isso, deu meia volta e foi embora. O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer?

Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.

Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego.

Mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.

Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra. E assim fez.

No seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

- Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.

- Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar, já que…

- Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.

- Se é assim, está bem.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

- Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque você não o vende para mim?

- Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias de viagem, de mula.

- Façamos um trato – disse o vizinho.

Eu pagarei os dias de ida e volta, mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento. Que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias. Aceitou.

Voltou a montar na sua mula e viajou.

No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

- Olá, vizinho. Você vendeu um martelo a nosso amigo.

Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras.

Que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira. Pagou e foi embora. E nosso amigo guardou as palavras que escutara: ‘não disponho de tempo para viajar para fazer compras’.

Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.

Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro, trazendo mais ferramentas do que as que já havia vendido.

De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.

A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes.

Com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele.

Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam os pedidos. Ele era um bom cliente. Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, a ter de gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos.

E logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc …

E após foram os pregos e os parafusos…

Em poucos anos, ele se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas.

Um dia decidiu doar uma escola ao povoado.

Nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.

No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e disse:

- É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do livro de atas desta nova escola.

- A honra seria minha, disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto.

- O Senhor? disse incrédulo o prefeito. O senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto:

- O que teria sido do senhor se soubesse ler e escrever?

- Isso eu posso responder, disse o homem com toda a calma. Se eu soubesse ler e escrever… ainda seria o PORTEIRO DO PUTEIRO.

_________________________________________________

Geralmente as mudanças são vistas como adversidades.

As adversidades podem ser bênçãos.

As crises estão cheias de oportunidades.

Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.

Lembre-se da sabedoria da água: ‘A água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna’.

Que a sua vida seja cheia de vitórias, não importa se são grandes ou pequenas, o importante é comemorar cada uma delas.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tianjin Eco-City: China quer construir a maior cidade autossustentável do mundo

china eco Cidade possuirá cerca de 30 Km² (Fonte da imagem: Reprodução/Inhabitat)


Ambientalistas e estudiosos apontam, há um bom tempo, que as mudanças radicais que o planeta está passando poderão trazer consequências sérias ao meio ambiente.

Com isso, o crescimento populacional, a urbanização e a industrialização passaram a ser vistas como possíveis “ameaças” ao ecossistema terrestre. E esse tema vem chamando tanto a atenção que o termo “sustentabilidade” passou a ser uma discussão fixa durante os encontros entre os governos de diferentes países.

Aparentemente, a China é uma das nações que estão aumentando suas considerações com o ecossistema. A prova disso se chama Tianjin Eco-City — uma cidade que será a primeira da sua “espécie”, sendo grandiosa e totalmente autossustentável. Ela é o resultado da preocupação do governo chinês com o seu amplo crescimento populacional (já são mais de 1,3 bilhão de habitantes) e industrial.

A revolução no estilo de cidades autossustentáveis

Tianjin Eco-City é um projeto colaborativo entre o governo chinês e o de Singapura que irá abrigar cerca de 350 mil pessoas. Considerado o maior do seu tipo, os planos para esta cidade verde surgiram devido ao amplo processo de urbanização que a China está passando — metade da população chinesa já reside nas cidades.

china eco1 (Fonte da imagem: Reprodução/Inhabitat)


Com uma quantia de habitantes na casa dos bilhões, o governo chinês precisa estar atento às necessidades básicas dos cidadãos — que estão, a cada ano, saindo da parte rural e indo para os grandes centros. Moradia, água, comida, emprego e infraestrutura são os itens básicos e podem ser ainda melhor oferecidos se estiverem igualmente enquadrados no termo “sustentabilidade”.

Assim, surgiu a ideia de criar uma área urbana sustentável — ou “ecocidade”. Tianjin Eco-City se destaca das demais “ecocidades” já existentes pelo seu projeto ser ambicioso e gigantesco: ela terá praticamente a metade do tamanho de Manhattan (cerca de 30 Km²). Toda a sua estrutura fornecerá um baixo teor de carbono, muito verde e um estilo de vida mais saudável aos seus habitantes.

Master plan

Com previsão de ser concluída em 2020, Tianjin Eco-City está estrategicamente localizada próxima a Pequim e a apenas 10 minutos de distância dos parques empresariais na Área de Desenvolvimento Econômico de Tianjin.

china eco2 (Fonte da imagem: Reprodução/Inhabitat)


Para se tornar um exemplo marcante de “ecocidade”, este projeto chinês quis revolucionar até mesmo a escolha do local de construção. Para isso, ele está sendo desenvolvido em um terreno industrial que servia de depósito de resíduos tóxicos e onde há um dos mares mais poluídos do mundo.

Segundo os desenvolvedores do projeto, tal decisão foi tomada com base na realidade de outras “ecocidades”. Até agora, a maioria era comumente construída em áreas ecologicamente importantes ou em terras férteis. Já a Tianjin Eco-City veio com um objetivo admirável: o de mostrar que é possível limpar e recuperar uma área poluída, tornando-a útil e agradável.

china eco3

(Fonte da imagem: Reprodução/BBC)


O projeto demorou três anos apenas para limpar a área. Durante o processo, foi necessário o desenvolvimento de uma tecnologia recém-patenteada que removeu os metais pesados de um reservatório que, daqui a algum tempo, se tornará um lago “saudável”.

Estrutura

Focando no quesito “habitabilidade”, a Tianjin Eco-City terá parques e espaços verdes ao redor das suas estruturas, além de canaviais que também foram criados para atrair pássaros e auxiliar no processo de limpeza da água.

china eco4 (Fonte da imagem: Reprodução/Inhabitat)


Os prédios estarão dentro das normas do “Green Building Evaluation”, uma referência única que os times de Singapura e da China desenvolveram especialmente para a cidade. Além disso, muitas construções estarão envoltas por coberturas que permitirão o uso da energia solar para que haja um equilíbrio térmico nos ambientes.

Para aperfeiçoar o funcionamento estrutural da cidade, um sistema coletivo de gestão de resíduos e reciclagem será introduzido e integrado ao processo de incineração, produzindo assim energia e minimizando a pressão sobre aterros.

china eco5

(Fonte da imagem: Reprodução/Inhabitat)

Distribuição de água

O abastecimento de água é um dos principais destaques no projeto. Tianjin Eco-City estará localizada em uma área naturalmente árida e contará com um sistema que vai permitir aos moradores beber o líquido diretamente de suas torneiras.

Além disso, os lagos e os canos foram ornados em argila ou em concreto para prevenir que a água salgada penetre. O projeto vai ainda mais além e há planos para a criação de uma usina que realize a dessalinização da água.

A água de esgoto também será tratada para fornecer uma fonte suplementar, e um grande esforço está sendo feito para que a Tianjin Eco-City conte com um sistema de conservação de água, além da reciclagem do líquido para a irrigação e a reutilização em sanitários.

Vida saudável aos habitantes

china eco6 (Fonte da imagem: Reprodução/BBC)


Neste ano, 60 famílias já estão habitando alguns dos edifícios da Tianjin Eco-City. Apesar de ainda faltar cerca de oito anos até o final das construções, os prédios que já abrigam moradores foram projetados para obterem um mínimo de padrão verde, com recursos que são considerados raros na China. Entre eles está a economia de água sanitária, janelas de vidro duplo e uma estrutura com orientação voltada ao sul, visando aperfeiçoar a temperatura interna.

Quanto ao transporte, os responsáveis pelo projeto afirmam que os carros não serão banidos. No caso, eles não pretendem criar obstáculos para as pessoas, apenas incentivá-las a utilizar transportes de baixo carbono ou mesmo a caminharem mais.

china eco7 Como está a cidade hoje (Fonte da imagem: Reprodução/Tianjin Eco-City)


Para isso, todos os locais da cidade foram programados para serem “andáveis”, tanto a pé como de bicicleta, interligando e dando acesso a todas as áreas de uma maneira fácil. Além disso, instalações de recreação livres serão oferecidas a cada 500 metros de caminhada saindo de lugar da cidade.

Os criadores da Tianjin Eco-City ainda pretendem fazer com que a cidade seja acessível a diferentes tipos de classe, afirmando que ser verde não é um luxo, mas uma necessidade. Por isso, um quinto das habitações será subsidiado para trabalhadores de baixa-renda.

china eco8 (Fonte da imagem: Reprodução/Inhabitat)


Se tudo der certo até 2020, os responsáveis pela maior “ecocidade” autossustentável do mundo esperam que Tianjin Eco-City se torne um modelo para futuros esforços de urbanização, tanto na China como no restante do mundo.


Fonte: BBC, CNN, Keppel Corporation, Inhabitat e Tianjin Eco-City

http://padilhaverde.blogspot.com.br/2015/06/tianjin-eco-city-china-quer-construir.html

Para que servem as leis?

Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.
Nelson ficou desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - vamos começar .
- Para que servem as leis? Perguntou o professor.
Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!justiça
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor .
- Para diferenciar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta:
"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vou buscar o Nelson - disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia. O povo é forte, juntos somos mais do que eles, pagar a conta do que eles fazem é demais. Sei que quase ninguém leu, mas serve para o que estamos passando hoje na política do Brasil. Precisamos tomar as rédeas do nosso país. Estamos à deriva, jogados, sem ninguém por nós.

 

http://lauropadilha.blogspot.com.br/2015/06/para-que-servem-as-leis.html

Para que servem as leis?

Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.
Nelson ficou desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - vamos começar .
- Para que servem as leis? Perguntou o professor.
Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!justiça
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor .
- Para diferenciar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta:
"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vou buscar o Nelson - disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia. O povo é forte, juntos somos mais do que eles, pagar a conta do que eles fazem é demais. Sei que quase ninguém leu, mas serve para o que estamos passando hoje na política do Brasil. Precisamos tomar as rédeas do nosso país. Estamos à deriva, jogados, sem ninguém por nós.

 

http://lauropadilha.blogspot.com.br/2015/06/para-que-servem-as-leis.html

Para que servem as leis?

Primeiro dia de aula, o professor de 'Introdução ao Direito' entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Qual é o seu nome?
- Chamo-me Nelson, senhor.
- Saia de minha aula e não volte nunca mais! - gritou o desagradável professor.
Nelson ficou desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - vamos começar .
- Para que servem as leis? Perguntou o professor.
Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!justiça
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso, para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor .
- Para diferenciar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta:
"Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?"
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não! - responderam todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vou buscar o Nelson - disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.
O povo é forte, juntos somos mais do que eles, pagar a conta do que eles fazem é demais. Sei que quase ninguém leu, mas serve para o que estamos passando hoje na política do Brasil.
Precisamos tomar as rédeas do nosso país. Estamos à deriva, jogados, sem ninguém por nós.

Aquilo que Cingapura tem de melhor e de pior

Lee Kuan Yew, o homem responsável pelo que Cingapura tem de melhor e de pior.


singapura Morreu ontem (23 de março de 2015), aos 91 anos de idade, Lee Kuan Yew, o homem responsável por implantar as reformas econômicas que fizeram com que Cingapura deixasse de ser um país de terceiro mundo — praticamente uma favela a céu aberto — e se transformasse em um país de primeiro mundo, com uma renda per capita muito superior à americana.

Yew desenvolveu o modelo de Cingapura por pura necessidade.  Além de não possuir recursos naturais, Cingapura não possuía nenhuma terra fértil na qual desenvolver atividades agrícolas.  Ou seja, não havia nem como plantar comida nem como extrair petróleo no país.  Logo, ele teve de recorrer ao comércio global.

A estratégia de Cingapura

Cingapura se tornou independente da Malásia em 1965.  Na verdade, o país foi praticamente expulso da Malásia.  À época, Cingapura era um país pobre e atrasado — uma mancha estéril, improdutiva e sombria em uma das mais perigosas regiões do mundo.  Com efeito, a renda per capita de Cingapura em 1965 seria equivalente à de um país como Angola ou Kosovo hoje, ajustada pela inflação.

No entanto, Cingapura contava com um líder, um fundador visionário: Lee Kuan Yew.  E ele tinha ideias claras sobre como modernizar o país. 

Sua estratégia continha os seguintes elementos:

Moeda forte e estável

O primeiro e mais crucial — sem o qual nada mais funciona — era uma moeda forte e estável.  Cingapura implantou um sistema de Currency Board, um regime monetário no qual não há política monetária e nem interferência política. 

Currency Board é o sistema que se utiliza quando se quer adotar uma genuína "âncora cambial", o que faz com que a moeda de um país se torne um mero substituto de uma moeda estrangeira.  Neste sistema, a moeda nacional é totalmente atrelada a uma moeda estrangeira (no caso de Cingapura, o dólar de Cingapura nasceu atrelado à libra esterlina, depois passou para o dólar, e depois para uma cesta de moedas), e a variação da base monetária nacional se dá de acordo com o saldo do balanço de pagamentos (saldo da quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia nacional).

A única função de um Currency Board é trocar moeda nacional (que ele próprio emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a uma taxa fixa

Neste sistema, não há nenhuma política monetária.  Todo o arranjo funciona como se estivesse no piloto automático.  A base monetária do país é igual à quantidade de reservas internacionais (no caso, a moeda adotada como âncora), e varia de acordo com a quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia em decorrência das transações internacionais do país.  Quando há um superávit nas transações internacionais, a base monetária doméstica aumenta; quando há um déficit, diminui.

Quando a quantidade de moeda nacional é idêntica à quantidade de reservas internacionais, é impossível haver um ataque especulativo, pois seria impossível exaurir as reservas internacionais (a moeda nacional teria de ser toda mandada pra fora, algo por definição impossível).

O país que adota o Currency Board passa a funcionar como se fosse um estado do país emissor da moeda utilizada como âncora pelo Currency Board.  Para que tal sistema funcione plenamente, uma Caixa de Conversão (o Currency Board) é criada com a única missão de trocar moeda nacional (que ela própria emite) por moeda estrangeira, e vice versa, a uma taxa de câmbio estritamente fixa.  (Veja mais detalhes sobre Currency Boards aqui.) 

Um arranjo de câmbio fixo, para um país em desenvolvimento, é bastante superior a um arranjo de câmbio flutuante, pois gera estabilidade de longo prazo para os investimentos (os investidores sabem exatamente qual será a definição da moeda nos anos vindouros), acaba com as especulações e retira completamente das autoridades políticas do país a capacidade de fazer política monetária — e, consequentemente, de desvalorizar a moeda, o que afeta sensivelmente a taxa de retorno dos investidores estrangeiros.

Além de estabilizar a moeda, um Currency Board impõe forçosamente uma disciplina ao sistema bancário e às políticas fiscais do governo.  Para Cingapura, um Currency Board forneceu preços estáveis (uma das menores inflações de preço do mundo) e uma moeda plenamente segura e conversível, o que atraiu investimentos estrangeiros maciços.

Hoje, a autoridade monetária de Cingapura, embora não mais funcione como um Currency Board ortodoxo, tem como única função controlar o valor do dólar de Cingapura em relação a uma cesta de moedas das principais economias do mundo.  A autoridade monetária de Cingapura não controla juros; ela atua para garantir que o dólar de Cingapura mantenha um valor relativamente estável perante as principais moedas do mundo.

E o resultado é que de 1982 a 2005, o dólar de Cingapura foi a moeda que menos perdeu poder de compra no mundo, superando inclusive o franco suíço e o marco alemão.  (A partir de 2005 ela perde para o iene japonês, dado que o Japão entrou em uma longa estagnação e seus preços ficaram em zero durante quase uma década).

Nada de ajuda internacional

O segundo elemento foi a total ausência de ajuda estrangeira.  Lee Kuan Yew proibiu que o país mendigasse auxílio internacional.  Cingapura se recusou a aceitar ajuda estrangeira de todo e qualquer tipo. 

Essa é uma postura francamente oposta à de vários outros países em desenvolvimento, nos quais o que mais há são esquemas de corrupção em que políticos e burocratas tentando abiscoitar algum tipo de ajuda estrangeira, seja de alguma ONG internacional, de algum organismo internacional (como o FMI e o Banco Mundial), ou de algum governo.

Em contraste, placas em que se lê "Nada de ajuda estrangeira" ainda estão penduradas, figurativamente, em cada gabinete governamental de Cingapura.

Setor privado forte

O terceiro elemento foi o notável esforço de Cingapura em criar empresas privadas de excelência, com características de primeiro mundo e genuinamente competitivas no mercado global. 

Isso foi alcançado majoritariamente por meio de baixa tributação, burocracia quase inexistente e mínima regulação.  Tudo isso em conjunto com tarifas de importação nulas e livre comércio pleno (sistema idêntico ao adotado em Hong Kong). 

Baixa tributação, baixa regulação, burocracia quase inexistente, moeda forte e livre comércio pleno atraíram para Cingapura empresas de todas as regiões do globo — e fez com que as empresas privadas de Cingapura se tornassem tigres asiáticos.

Respeito à propriedade

O quarto elemento na estratégia de Cingapura foi uma ênfase na proteção à propriedade privada, na segurança pública, e na ordem pública. 

Neste quesito, no entanto, as coisas são mais nebulosas, como será mostrado mais abaixo.

Do terceiro ao primeiro mundo

Estes foram os quatro objetivos da estratégia de Lee Kuan Yew: moeda forte e estável, nada de ajudas estrangeiras, empresas privadas de primeiro mundo, plenamente competitivas, operando em um arranjo de livre comércio pleno e sem sofrer regulações onerosas, e um arranjo de lei e ordem.

E, para cumprir esses objetivos, o segredo da estratégia era ter um governo "pequeno" e transparente; um governo minimalista em termos econômicos, que não impunha complexidades e nem burocracia — daí a contínua presença de Cingapura no topo do ranking da Doing Business, entidade que mensura a facilidade de se empreender ao redor do mundo.

O gráfico abaixo mostra bem a evolução de um país que saiu do Terceiro Mundo e se converteu plenamente em uma das regiões mais ricas do planeta.  Ele mostra o impressionante êxito econômico de Cingapura, cuja renda per capita em dólares supera a dos EUA e a da Suécia, é o dobro da da Espanha e cinco vezes maior que a da vizinha Malásia, de quem Cingapura se separou (ou melhor, foi expulsa):

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Além de todas as características já citadas acima, vale ressaltar que o gasto público de Cingapura é a metade do americano, e um terço do sueco.

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A mente de Lee Kuan Yew

No entanto, nada mais justo e pertinente do que deixarmos que o próprio Lee Kuan Yew nos ofereça sua própria visão sobre como as sociedades prosperam e enriquecem.

O pai fundador de Cingapura se sentiu atraído, até os anos 1960, pelo socialismo inglês.  No entanto, felizmente, acabou descobrindo que a hipertrofia do estado não é o caminho adequado para o progresso:

Assim como Jawaharlal Nehru [o primeiro primeiro-ministro da Índia, de 1947 a 1964], no começo me senti influenciado pelas ideias do socialismo fabiano inglês.  No entanto, rapidamente me dei conta de que, para distribuir o bolo, é necessário antes fabricá-lo.  Por isso me distanciei da mentalidade do estado de bem-estar: ela minava o espírito empreendedor e impedia que uma pessoa se esforçasse para prosperar e seguir adiante.

Também abandonei o modelo de industrialização baseado na substituição de importações.  Enquanto a maioria dos países do Terceiro Mundo denunciava a exploração das multinacionais ocidentais, nós as convidamos todas para ir a Cingapura.  Desse modo conseguimos crescimento, tecnologia e conhecimento científico, os quais dispararam nossa produtividade de uma maneira mais intensa e acelerada do que qualquer outra política econômica alternativa poderia ter feito.

Lee Kuan Yew percebeu com clareza que a única maneira de um país sem recursos naturais como Cingapura ter alguma vantagem competitiva era se convertendo em uma região livre e segura no mercado global, uma região em que investidores pudessem investir e poupar sem medo de expropriações:

Somos o país com menos recursos naturais em toda a nossa região; portanto, só nos resta sermos honestos, eficientes e capazes.  [...] Cingapura tem as qualidades para ser a Chicago ou a Zurique da Ásia Oriental.

Para lograr tal feito, abraçou sem titubear a globalização:

Não nos esqueçamos de que o protecionismo e um menor comércio equivalem a um menor crescimento econômico para os países ainda em desenvolvimento.  [...]

Aproveitamos todas as vantagens que nos legaram os ingleses: o idioma, o sistema jurídico, a democracia parlamentarista e a administração imparcial.  Mas conseguimos evitar ceder ao charme do estado de bem-estar social.  Já vimos como um povo inteiro pode competir entre si para se afundar na miséria e na mediocridade.  As pessoas menos empreendedoras e trabalhadoras não podem ser igualadas ao resto à custa de piorar a situação das mais empreendedoras e esforçadas.  E também já vimos quão difícil é desmantelar um sistema de subsídios tão logo as pessoas se acostuma às benesses que o estado lhes proporciona.

A oposição de Lee Kwan Yew à desvairada expansão do estado de bem-estar social do Ocidente foi uma constante ao longo de toda a sua vida.  Seus princípios eram claros: uma coisa é ajudar quem realmente está necessitado; outra, bem diferente, é subsidiar o parasitismo:

O estado de bem-estar e os subsídios destroem a motivação para as pessoas se esforçarem e crescerem.  Se for para ajudar alguém, é preferível que seja dando-lhes algum ativo ou dinheiro e permitido que tenham total liberdade para decidir como gastá-lo.  Quando as pessoas se tornam dependentes dos subsídios e o estado não pode mais continuar lhes pagando, elas protestam.  Tornaram-se mal acostumadas.

É a sociedade civil, e não o estado, quem essencialmente tem de ajudar os mais desfavorecidos.  A missão do governo não é administrar monopolisticamente a filantropia de uma sociedade, mas sim não impedir seu florescimento:

O estado não pode substituir o calor pessoal e o contato direto das ajudas voluntárias.  Os sentimentos altruístas e filantrópicos motivam as pessoas a se ajudarem entre si.  Muitos estados ocidentais se converteram em burocracias esbanjadoras nas quais os funcionários públicos bem pagos não possuem esse indispensável sentimento de altruísmo e idealismo visto nos trabalhadores voluntários.

Cingapura, por conseguinte, não se especializou em redistribuir a renda, mas sim em atrair capital humano, capital físico e capital financeiro para impulsionar a prosperidade de todos:

Cingapura tem uma maioria chinesa; porém, não importa qual seja a sua raça, se você se unir a nós como cidadão, desfrutará dos mesmos direitos e oportunidades.  Em Cingapura, somos uma sociedade cosmopolita e aberta, que recebe de braços abertos o talento, pois é ele que nos permite continuar crescendo e prosperando.

Em vez de denegrir a figura do empreendedor, este é exaltado como o motor do crescimento e da inovação:

O sonho da riqueza atrai todos.  No entanto, somente aqueles que inovam e que sabem criar bens e serviços se tornam ricos.  São poucos os que nascem com uma aguçada mentalidade empresarial, e são ainda menos aqueles que triunfarão.  O êxito empresarial necessita de qualidades extraordinárias, como elevados níveis de energia, perspicácia para enxergar as oportunidades onde outros só veem problemas, e intuição para antecipar quais produtos ou serviços serão rentáveis.

À luz de tão excepcionais reflexões, estaríamos tentados a pensar que Lee Kuan Yew era o paradigma do político liberal no qual todos deveriam se inspirar.  Mas, infelizmente, não.  Lee Kuan Yew era um conservador pragmático que, em matéria econômica, havia entendido boa parte das regras do jogo, mas que, em matéria social, permaneceu ancorado a um intenso intervencionismo estatal.

Ele próprio se vangloriava de interferir na vida privada das pessoas para orientá-las a seguir o bom caminho.  Em termos sociais, suas ideias eram mais comunitárias do que liberais, e ele tinha uma noção particular de bem comum:

Na cultura americana, o interesse do indivíduo vem em primeiro lugar.  Isso transforma os EUA em uma sociedade agressivamente competitiva.  Em Cingapura, o interesse da sociedade vem antes do indivíduo.  Mas, ainda assim, Cingapura tem de ser competitiva no mercado de trabalho, e no de bens e serviços.

Uma das consequências dessa mentalidade é que Cingapura é hoje um estado que pratica a tortura de presos, que limita a liberdade de expressão e de imprensa, que mantém um serviço militar obrigatório e que proíbe as relações homossexuais.  A ordem pública é mantida rigidamente.  Há punições severas para pichações.  É proibido até mesmo mascar chicletes (só são permitidos chicletes terapêuticos com receita médica).  O governo pode encarcerar criminosos por tempo indefinido e sem julgamento.

Conclusão

Cingapura é, em muitos aspectos, um exemplo para o Ocidente.  Em outros, longe disso. 

O mesmo, no entanto, pode ser dito sobre o Ocidente para Cingapura: é um exemplo em muitas coisas, mas não em outras.

Felizmente, liberdade é algo que não tem de ser adquirida em um pacote conjunto.  A liberdade não é um comboque necessariamente tem de vir com concessões governamentais. 

Não é necessário optarmos entre a liberdade civil e a liberdade econômica quando podemos ter ambas: o Ocidente provou que a liberdade civil permite que as pessoas desenvolvam seus planos de vida sem se sentirem oprimidas por estados repressores ou pela intolerância de grupos organizados; já Cingapura provou que a liberdade econômica gerava um aumento formidável na prosperidade e na riqueza.

Por que, então, não podemos optar por ambas as manifestações de liberdade individual?  Esse é o programa ideológico dos libertários.

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Autores:

Steve Hanke, professor de Economia Aplicada e co-diretor do Institute for Applied Economics, Global Health, and the Study of Business Enterprise da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, EUA.  O Professor Hanke também é membro sênior do Cato Institute em Washington, D.C.; professor eminente da Universitas Pelita Harapan em Jacarta, Indonésia; conselheiro sênior do Instituto Internacional de Pesquisa Monetária da Universidade da China, em Pequim; conselheiro especial do Center for Financial Stability, de Nova York; membro do Comitê Consultivo Internacional do Banco Central do Kuwait; membro do Conselho Consultivo Financeiro dos Emirados Árabes Unidos; e articulista da Revista Globe Asia.

Juan Ramón Rallo, diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.

Leandro Roque, editor e tradutor do site do  Instituto Ludwig von Mises Brasil.

Fonte: http://migre.me/qs2wN

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